Sempre tive um pouco de medo de lutar e acreditar que posso mudar. Sempre tive cautela demais, ousadia de menos, expressões a mais, um cérebro lento. Sempre sonhei com coisas que não poderia ter, de um jeito que não poderia ser. Vivi sombreada pelo sucesso de outrém, nunca soube ir além. Queria sorrir, sair me divertir. Queria ser feliz. Ouvi falar de uma felicidade que não se importa com tamanho ou idade. Que aparece e acaba com qualquer dificuldade. Ouvi falar que ela preenche, completa, surpreende, afeta. Não sei se já senti algo igual. Tudo que sinto é meio banal. Nunca fui de fortes emoções, de palpitar corações, de provocar sensações. Passei meio despercebida por aí. E daí? Não sei se saberia ser diferente. Acho que é uma coisa que nasce com a gente. Não me apego com facilidade. Não vivo de futilidade. Não consigo nem chorar. Pareço vazia como uma sala vazia de estar. Sofro no meu quarto parado, sem porta retratos, sem recordação. Sofro demasiadamente rápido, sem provocar alteração. E continuo assim, sem progredir sem me re-inventar. O que é bom é bom, e como não sou não posso durar.
Nana Rothhaar
