sexta-feira, 22 de julho de 2011

Salvação



Meu coração está desolado, arrasado, afundado, sinto como se o chão me tivesse sido arrancado de sob os pés. Minh'alma se afunda em mim, e as minhas pernas pesam sob meu corpo leve. Sinto o coração acelerar e se chocar contra minhas costelas que agora parecem quebradiças. Todo meu eu se anuviou e meus olhos se turvam com as lágrimas teimosas que tento engolir. Minhas mãos trêmulas não conseguem traduzir em palavras o que se passa dentro de mim. É como se tudo que eu concretizei em meus pensamentos fosse levado pela fina chuva que cai lá fora. Mas quem me dera que em mim houvesse uma fina chuva. Há uma torrente que arrasta tudo de concreto que pintei em meus doces sonhos. É avassalador, desconhecido, desastroso. Mas há sempre uma luz. Por mais oculta que pareça. Ouvi palavras doces e amistosas. Aquelas que nunca pensei ouvir, de uma fonte que nunca pensei existir. A vida é realmente surpreendente e esse é um dos clichês mais verdadeiros existentes.

Nana Rothhaar

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ignorar-me

A angélica forma de olhar, de se expressar, de se movimentar.
O jeito doce de falar, de se comunicar...
A atenção que transmite ao piscar devagar
e tudo mais que não tenho coragem de falar.
A serena forma de... me ignorar.
O silêncio ao me fitar, a inexpressiva maneira de me cumprimentar
fizeram-me olhar para o lado em um momento de desagrado
e pude perceber o que ia além de você.
Uma personalidade, a meiga jovialidade e a amizade a engatinhar.
Ah!, como eu quis acreditar!
Como fui boba ao me deixar contagiar.
No fim não foi nada além de ilusão.
De ambos os lados lançaram-me adagas no coração
sem que eu pudesse evitar. Como foi triste ter que enxergar.
Vou ter que viver só e assim mesmo tentar me recuperar.

Nana Rothhaar

domingo, 3 de julho de 2011

Escrevo sobre coisas que conheço, que sinto, que vejo. Ou não faço.
Pode ser sobre coisas alegres, tristes, coisas das quais me agrado.
E hoje falo de você. Não era pra ninguém saber, mas mesmo assim vou dizer.
Ainda não é algo que está em meu coração; se passa na minha mente.
Meu pequeno ciúme é fruto da velha possessão.
Após o "fatídico" dia, o qual venho sempre a recordar, não consigo parar de pensar...
Não é tão gracioso nem belo, nem me faz ficar presa a seus olhos como a um elo,
mas é encantador com seu próprio jeito de ser; percebi isso repentinamente, sem querer.
É mais forte e decidido - isso é apenas o que tenho visto, não tirem conclusões pelo que digo.
Não o conheço, não o mereço, logo digo o que vejo, o que imagino, o que acredito.
Às vezes minha mente faz isso comigo.
Ah! que sarcástico! Já cheguei a ficar constrangida, mas jamais me dei por vencida.
O de outrora jamais faria isso. É o que penso, cá comigo.
Enfim, em suas semelhanças são diferentes, dão um nó na cabeça da gente.
Do carinho ao sarcasmo, da intensidade à clareza,
da calma à indagação, da simplicidade à explosão.
São tão próximos e tão distantes, como as coisas que se passam em meu coração.

Nana Rothhaar