segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Te Olho nos Olhos - Ana Carolina

Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.

Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De me inventar de novo.

Desculpa...se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.

A ponto de ver a estrada...
Muito antes dos seus passos.

Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."

sábado, 29 de janeiro de 2011

No fim do dia...

No fim do dia era tudo exceto sobre amor.
Era sobre comoção, perdão, compaixão.
Era sobre aprendizados.
Podia ser sobre um rápido romance apaixonado.
Mas era sobre algo mais.
Algo como te fazer se sentir capaz.
Era sobre saber enxergar a pós-vida,
a pós-discussão, pós-tragédia, pós-miséria.
Era sobre compreensão.
Compreensão da razão e sobretudo da emoção.
Era sobre saber se desculpar e saber se culpar.
Era sobre abrir os braços e abraçar.
Era sobre olhar nos olhos e tudo querer enxergar.
Era sobre confiança.
Sobre deixarmos de ser criança.
Crianças esperneiam e choram.
Adultos choram, mas não esperneiam eles se importam.
Somos adultos e não finjamos o contrário.
Há tanto sobre perdas e felicidade.
Há tanto sobre coisas que levamos com dificuldade.
São coisas simples que conquistamos com emoção.
Há coisas simples que não perdoamos sem razão.
Se achamos a nossa vida muito ruim
que olhemos para o lado e abramos bem os olhos:
eles estão mais tristes que nós e ainda dizemos: "acha que me importo?".
Não sejamos tolos a ponto de culpar os outros pelo que nos acontece.
Não é nada sobre eles.
Não é nada além de ser sobre você.
No fim do dia é sobre saber se portar diante da vida.
No fim do dia é sobre saber sorrir quando poderíamos chorar.
No fim do dia é sobre se importar e consertar.
No fim do dia é sobre evolução e aprendizado.
No fim do dia não é sobre o tempo gasto.
É sobre o que fazer com o que temos em frente.
No fim do dia não é sobre amor.
É sobre viver diferente.

Nana Rothhaar

Não é por nada não

Não é por nada não.
Não é por nada que eu tenha feito.
Nem é por nada que você tenha querido fazer.
Nem por nada que deixamos escapar.
Não é por nada que eu goste,
ou que você não goste,
ou que nenhum de nós suporte.
Não foi por causa de outrém.
Na verdade não é culpa de ninguém.
São coisas involuntárias, surpreendentemente marcantes.
Pensando bem, não é não por nada não.
É por algo sim, assim, como você.
Sua respiração, emoção, seu sorriso convidativo,
olhar compassivo, emotivo, altivo.
É por cada diástole tola, cada sístole boba.
É que tudo fica importante de repente quando se trata de você.
Não é por nada não, mas preciso falar:
Não é por nada apenas que te amar.

Nana Rothhaar

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Já fiz um pouco de muito

Já fiz versos bonitos dos quais me orgulhei.
Já fiz rimas singelas as quais já descartei.
Já fiz poemas sem sentido para extravasar minha confusão.
Já escrevi textos tristes para espalhar minha frustração.
Já esbocei coisas alegres para fazer alguém sorrir.
Já escrevi sobre um amor que nunca sequer senti.
Já comecei  a escrever algo e bem no meio parei.
Já comecei a escrever coisas e só parei quando acabei.
Já escrevi fórmulas antigas que iriam a meu favor.
Já tentei encontrar uma nova fórmula para o amor.
Já tentei escrever apenas por inspiração.
Já ousei falar sobre coisas que se passavam em meu coração.
Já escrevi muita coisa para impressionar alguém melhor que eu.
Já ironizei alguém que achou que me venceu.
Já me fiz melhor do que o que realmente sou.
Já disputei com alguém que no fim me ultrapassou.
Já tentei provar pros outros o quão boa posso ser.
Já me fizeram ver que, para eles, pouco importa o que me vai acontecer.
Já tentei mostrar para o mundo o que se passa dentro de mim.
Já aconteceu de algumas dessas vezes não conseguir e mentir.
Já prometi umas coisas que sabia que não iria cumprir.
Já alcancei muitas metas que nunca achei que fosse atingir.
Já perdoi algumas pessoas que me fizeram muito mal.
Já tentei me perdoar por um erro acidental.
É! Já fiz muitas coisas que acabei de notar.
E espero ainda fazer, enquanto meu tempo durar.


NanaRothhaar!