domingo, 28 de abril de 2013

Oh, querido!

Oh, querido, eu sinto muito pelo ocorrido,
nunca quis te magoar, mas você precisava olhar em meus olhos
ver o vazio de sentimentos, saber que o ignoro.
Perdoa-me a falta de piedade, não estou condescendente
apesar de achar que fui grossa, arrogante e intransigente.
Enxergue que amores são consumidos por amargores.
Entenda que te quero bem, de forma muito amena.
Não seja tão jovem, se ame!
Não se deixe levar, não se engane.
Seu amor precisa de um epitáfio:
"Amores não acabam simplesmente,
eles morrem de fome se você não alimentá-los".

Nana Rothhaar

Meu jeito de Amar

Se eu tivesse você aqui seria do meu jeito insano,
um pouco imaturo, um tanto egoísta, muito mundano.
Se eu tivesse que te beijar seria surpreendente
e você saberia que fui eu, pois seria envolvente.
Se eu tivesse que te mostrar algo, eu mostraria meu mundo
o pior dele, desprezível, arcaico, inumano e sujo.
Seria brava, não amorosa e sadia,
não doce e carinhosa, eu seria uma poesia
agressiva, acometida de dor, xingaria, te luxaria
apenas para te mostrar que tenho sangue
que posso rir da sua tragédia e te mostrar, antes,
antes de te amar, o que poderia fazer você me odiar.
Assim você não se surpreenderia no final,
quando máscaras caem e o desespero é real.
Você veria minha caixa de pandora,
todos os meus demônios caindo para fora
e em cima de você.
Hahahahahaha você iria tremer, menino
eu conheço seu terror e seus baixos gemidos,
e eu iria te consolar só para te mostrar o quão boa posso ser.
Saiba que não é de belos poemas que se fazem amores,
é de putrefação e de amargores,
porque isso é adubo para lindas flores.

Nana Rothhaar

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Alegria


Eu ia falar de tristeza e pensamentos degeneradores.
Mas porque fazer isso se posso pensar em amores?
Posso fingir estar num lugar como meu lar.
Um pequeno café ou num pub.
Não mais uma jovem maltratada, um up!
Ela agora veste rendas e passeia de mãos dadas com a alegria.
Pára num parque, sente nostalgia.
Agora é de dia e ela senta na grama com o sol a banhar sua pele.
Tira seu óculos escuro, fecha os olhos e ouve INXS.
Ela irradia confiança pelos poros e seu olhar induz esperança.
A olham de todos os lados. A fama a acompanha?
Não, imagina! Ela é só uma bela e meiga menina que procura seu encaixe,
não sua metade, porque ela se basta, e repleta.
Tanto que como diz o poeta 'chega a transbordar'. Ela é muita e quer se doar.
Porque aprender que pode tudo quando aprendeu a se amar.

Nana Rothhaar

domingo, 7 de abril de 2013

Bazar


Estou fazendo um bazar.
Arrecadando fundos para me mandar.
Estou vendendo um pouquinho de amor,
porque me sobrou pouco depois de tanto dar sem retornar.
Vendo um tiquinho de esperança,
pois já passou muito tempo,
e antes que morra sem nada quero que fique a lembrança.
Vendo um amigo falso ou dois, esses estão quase de graça
apesar de que tem gente que gosta de conviver com desgraça.
Vendo um amigo verdadeiro, mas esse está caro.
Vendo porque vou pra longe e não que ele me siga aos disparos.
Vendo um restinho de alegria.
Essa não me fará falta, pois nunca fui de muita folia.
Tem também paixão num pacotinho.
Essa eu desperdicei demais, por isso só tem um pouquinho.
Ah, acabei de achar num baú velho algumas recordações
e decidi selecionar pra colocar num mural.
Tem alguns beijos sem significado, lembranças de um carnaval,
tem sorrisos de verdade, uma escondida memória de caridade,
alguns bichinhos carinhosos, umas mulheres de olhos bondosos
ensinando sempre o bem. Acho que vou vender tudo, que mal tem?
Mas... sabe de uma? Melhor não. Vou embora com esse baú de recordação,
ou vendo tudo aqui agora mesmo?
Será que seria eu, se me entregasse por inteiro?
Não vou vender mais nada não. Vou embora com minha mala cheia,
afinal, quem sou eu se não esse monte de besteira?
E assim terei identidade. Sofro revivendo, mas fui feliz de verdade,
E isso me fez quem sou. Quer agrade ou desagrade...

Nana Rothhaar

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um amor fácil de amar

Ninguém entende!
Eu só queria um amor pra mim.
Nem beleza extraordinária, nem inteligência exacerbada,
nem talentos múltiplos, que tornaria tudo confuso.
Só queria um amor fácil de entender.
Que houvessem complicações! Conseguiríamos resolver.
Só queria estar com alguém a quem eu pudesse amar,
admirar, me encantar e todos os dias me apaixonar,
novamente, outra vez, por todo o sempre!
E mesmo que não fosse pra sempre, enquanto durasse, intensamente.
Pois nada pior que nunca saber.
Nada para recordar, nenhuma memória para acalentar,
aquele amargor por nunca ter nem ao menos tentado,
por não ter deixado.
Não queria ir dormir triste com isso.
Queria que você tivesse me ouvido, me visto, insistido!
E pior é que já fiz uma poesia sobre esse assunto.
Começou a temporada de lamentações e alegrias.
Por estar sozinha, mas por não estar vazia...

Nana Rothhaar

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Por ora...

E eis que a noite desce como um véu por sobre o crepúsculo trazendo consigo o frio da solidão. E ela vaga pela rua solitária acompanhada de suas lembranças sombrias. E os sapatos, encharcados pela chuva fina que se deposita em poças no chão gelam seus pequenos pés maltratados. E onde está? Para onde vai? É um tormento sem fim que lhe estremece o coração. De onde vem? O que fazer? O que lhe pertence? O que só pertence a você? "Não se contam estrelas decadentes e sonhos perdidos", lhe disseram. "Dá azar pensar em assuntos interrompidos, mal acabados, não resolvidos, nunca pensados, ou já esquecidos." De onde vem o medo que assola o coração? De onde vem a incerteza numa vida tão perfeita? De onde vem a necessidade de fugir para um lugar o qual se teme só de pensar em ir? Porque o medo das sombras amigas que escondem seu olhar? Porque o medo de tudo que simplesmente deveria amar? Porque a louca aventura não a atrai como antes? Porque a vida não a agrada como a um jovem agrada a amante? E eis que a aurora rompe e seus medos cessam. Por ora, por ora. Ou esquecestes que as indagações não foram respondidas e a noite voltará trazendo embasamento para devaneios? Mas estará de volta e íntegra ao mundo verdadeiro, longe das perturbações de uma mente oscilante. Longe da noite que cai e a arrasta sem freios. Por ora, por ora...