Ontem eu estava tão cansada e solitária,
que uma estrela abandonada ao longe
ou uma gota de chuva presa no para brisa de um carro não sentiriam inveja de mim.
Pensei tanto sobre palavras nunca ditas e sentimentos nunca revelados
que a triste canção nem sequer me afetou.
Estava pesada, arrastando palavras, correntes desgastadas, atitudes enferrujadas.
Cansada de fazer planos que cumpro sem objetivo
como se hoje fosse mais importante que qualquer dia.
Como se o futuro fosse incerto demais para se apostar.
Que culpa tenho eu se só queria ter algo para me agarrar?
Uma promessa preenchida com amor, um caminho retilíneo e claro a seguir,
uma visão de um horizonte plano e longo...
Que culpa tenho eu de ainda tentando não conseguir?
Se só consigo enxergar um futuro enegrecido pelo véu da incerteza?
Se quando todos dizem que uma vida longa me espera,
não consigo enxergar essa longitude mais do que o dia de amanhã?
Não que eu ache que meu fim está próximo. Absolutamente!
Apenas não consigo me estender a uma vida planejada sem surpresas e emoções.
Apenas não consigo me enxergar em um mundo cor de rosa atrás de uma cerquinha branca,
com criancinhas e coisinhas estupidamente chatinhas.
Preciso ir para casa. Pra onde acho que me sentiria em paz.
Mas e os sonhos inalcançáveis que precisamos ter
para que a vida seja sempre uma busca e não o que sobrou depois que tudo foi alcançado?
Qual será meu próximo sonho impossível?
Porque apesar do meu cansaço uma chama em mim diz que posso alcançar tudo que desejo.
E depois disso o que farei?
Pois como qualquer ser humano sei que quando alcançar tudo, ainda não me contentarei.
Nana Rothhaar
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada por comentar. Thinking fica muito feliz!