segunda-feira, 1 de abril de 2013

Por ora...

E eis que a noite desce como um véu por sobre o crepúsculo trazendo consigo o frio da solidão. E ela vaga pela rua solitária acompanhada de suas lembranças sombrias. E os sapatos, encharcados pela chuva fina que se deposita em poças no chão gelam seus pequenos pés maltratados. E onde está? Para onde vai? É um tormento sem fim que lhe estremece o coração. De onde vem? O que fazer? O que lhe pertence? O que só pertence a você? "Não se contam estrelas decadentes e sonhos perdidos", lhe disseram. "Dá azar pensar em assuntos interrompidos, mal acabados, não resolvidos, nunca pensados, ou já esquecidos." De onde vem o medo que assola o coração? De onde vem a incerteza numa vida tão perfeita? De onde vem a necessidade de fugir para um lugar o qual se teme só de pensar em ir? Porque o medo das sombras amigas que escondem seu olhar? Porque o medo de tudo que simplesmente deveria amar? Porque a louca aventura não a atrai como antes? Porque a vida não a agrada como a um jovem agrada a amante? E eis que a aurora rompe e seus medos cessam. Por ora, por ora. Ou esquecestes que as indagações não foram respondidas e a noite voltará trazendo embasamento para devaneios? Mas estará de volta e íntegra ao mundo verdadeiro, longe das perturbações de uma mente oscilante. Longe da noite que cai e a arrasta sem freios. Por ora, por ora...

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