Nossos sentimentos são mundanos,
não respeitam restrições, adoram contradições,
não seguem linhas traçadas, regras estabelecidas,
são passageiros ou duradouros, mas imperativos
vão e vêm como bem desejam, anseiam,
nos machucam, nos alegram, não se importam com tabelas,
não se freiam sem vontade, se coordenam, nos invadem.
Sentimentos dão calor, companhia, fervor,
abandonam, esvaziam, se esgotam e aí se renovam.
Sentimentos são mundanos, pois assim também o somos.
Quando temos, descartamos, quando perdemos, choramos.
E, sem exceção, somos frágeis, descartáveis.
Talvez memoráveis, mas não insubstituíveis,
pois, como os sentimentos, somos voláteis, flutuantes, oscilantes.
Pessoas têm sentimentos ou os sentimentos as têm?
Pois somos tão dependentes deles porque eles nos mantêm.
E assim somos conduzidos, guiados, emoldurados
por sentimentos vivos, nos preenchendo, personificados.
Nana Rothhaar
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