Nas paredes da sua mente
escritos confusos, letras borradas,
como lágrimas derramadas numa face enrugada
que recolhem em si memórias dolorosas,
tão manchadas e vivas como as marcas das lutas da vida.
Nas memórias, tristezas ocultas de portas trancadas,
janelas embaçadas, e ela lá sozinha, sem auxílio,
vivendo num exílio dos seus, ao léu,
como se desprezar fosse um pedaço velho de papel.
Alegria é letra morta, de uma música censurada,
já se foi, abandonada, tá guardada, bem trancada.
O amor ainda latente, é refúgio recorrente.
Mas que amor? Aprisionado, é um monte dependente.
E a paz? Aonde está? Em lugar indefinido.
Pois as culpas recorrentes a desviam do destino.
E se vive mesmo assim, a vida continua enfim,
Com começo, sem um meio, sem saber quando é o fim.
Nana Rothhaar
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