A dor que trago em mim é tão refinada
que chego a desconfiar do meu próprio sentimento.
É tão sutil, mais sutil que a brisa soprada,
mais sutil que o mais simples dos ventos.
Cresce aos poucos enraizando como alga
que de tão suave e singela nem é notada
e de repente domina toda a base, infesta.
Ela é doce, tão doce que nauseia,
com um toque acre que rememora
que algo não está onde deveria, e não refreia.
Cada pequena parte é essencial para exercer domínio,
pois sob o comando total e legítimo
muitas vezes não sou capaz de renegar.
É que cada mero comando, por mais que seja ínfimo
parece tão certo que não consigo evitar...
E meu corpo passa a ser um lugar insalubre de se resguardar
cada simples sentimento que queira então reacender
as fagulhas de esperança que sei que deveria ter
e se torna tão difícil de me levantar...
É pulsante, latejante como o ritmo da minha própria vida.
É incessante e incansável a dor que me agita.
E ela é apenas tão doce... tão difícil de ser esvaída...
Nana Rothhaar
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