quarta-feira, 23 de março de 2011

Eram meus sentimentos, melhor dizendo


Nunca achamos que certas coisas que não queremos que aconteçam acontecerão
e quando elas acontecem nos afundamos em frustração.
Acontece que muito disso é inevitável, não está em nossas mãos.
Oh! Deus como seria mais fácil se conseguíssemos enxergar o que podemos mudar
e que tivéssemos discernimento para nos conformar quando nada podemos fazer.
Isso é um tanto complicado de explicar, só quem sofreu por isso compreenderá.
Sabe a sensação de que tudo está firme em suas mãos e de repente se espatifa no chão?
E sabe tambem quando as coisas pareciam estar entrado no seu eixo
e quando você menos espera elas mudam e entram no eixo alheio?
E quando se tem certeza que tudo vai se encaixar e as coisas vão finalmente se acertar
e se vê tudo indo por água abaixo sem que se possa fazer nada para salvar?
Todos já devem ter passado por isso alguma vez e se não passaram vão passar.
Não estou agourando não, é que não está em nossas mãos!
Nem tudo vai sair como planejado e temos que nos preparar para imprevistos.
Talvez eu tivesse que ter mudado o que eu havia sido...
Não, não iria adiantar. Agora vejo que estava bem em meu lugar.
Outros é que estavam no lugar em que eu queria estar.
Dentro do seu coração que poderia ser meu, porque eu quis que meu coração fosse seu.
Dentro da sua mente e dos seus sonhos, dentro das expectativas que formulou;
agora vejo que não foi a mim que amou.
Estava me iludindo para meu próprio conforto, veja que gesto tolo!
Estava empurrando para você expectativas que eram minhas,
agora vejo que preciso caminhar sozinha.
Imagine se pudesse ter sido de outra forma, em outro lugar ou em outra ocasião...
talvez fosse recíproco o que se passa em meu coração.
Mas nunca irei saber. Aconteceu o que tinha de acontecer.
Talvez um dia nos reencontremos e possamos dar vazão aos nossos sentimentos.
Aos meus sentimentos, melhor dizendo.


Nana Rothhaar :-(

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Não é o mesmo que amar

Às vezes me vejo arfar de emoção
quando sinto que tocaram o meu coração.
Pego-me pensando em você quando menos deveria;
não era isso que eu queria.
Sinto minha cintura queimar
onde no meu sonho você chegou a tocar.
Sinto meu coração disparar quando te ouço dedilhar
as cordas do seu violão.
Ah! sinto-me em ebulição.
Não estou apaixonada.
Na verdade, estou encantada, maravilhada.
Queria alguém como você,
que fizesse minha vida desaparecer com um olhar,
mas que diferente de todos pudesse realmente me conquistar.
Você não deixa meu coração completo,
não o faz disparar pelos motivos certos.
É uma pena que não possa dar certo.
Seria bom te ter, de tudo esquecer, mas não iria durar.
O que sinto é bom, mas não é o mesmo que amar.
Vou procurar alguém a quem possa me entregar.

Nana Rothhaar

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Te Olho nos Olhos - Ana Carolina

Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.

Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De me inventar de novo.

Desculpa...se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.

A ponto de ver a estrada...
Muito antes dos seus passos.

Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."

sábado, 29 de janeiro de 2011

No fim do dia...

No fim do dia era tudo exceto sobre amor.
Era sobre comoção, perdão, compaixão.
Era sobre aprendizados.
Podia ser sobre um rápido romance apaixonado.
Mas era sobre algo mais.
Algo como te fazer se sentir capaz.
Era sobre saber enxergar a pós-vida,
a pós-discussão, pós-tragédia, pós-miséria.
Era sobre compreensão.
Compreensão da razão e sobretudo da emoção.
Era sobre saber se desculpar e saber se culpar.
Era sobre abrir os braços e abraçar.
Era sobre olhar nos olhos e tudo querer enxergar.
Era sobre confiança.
Sobre deixarmos de ser criança.
Crianças esperneiam e choram.
Adultos choram, mas não esperneiam eles se importam.
Somos adultos e não finjamos o contrário.
Há tanto sobre perdas e felicidade.
Há tanto sobre coisas que levamos com dificuldade.
São coisas simples que conquistamos com emoção.
Há coisas simples que não perdoamos sem razão.
Se achamos a nossa vida muito ruim
que olhemos para o lado e abramos bem os olhos:
eles estão mais tristes que nós e ainda dizemos: "acha que me importo?".
Não sejamos tolos a ponto de culpar os outros pelo que nos acontece.
Não é nada sobre eles.
Não é nada além de ser sobre você.
No fim do dia é sobre saber se portar diante da vida.
No fim do dia é sobre saber sorrir quando poderíamos chorar.
No fim do dia é sobre se importar e consertar.
No fim do dia é sobre evolução e aprendizado.
No fim do dia não é sobre o tempo gasto.
É sobre o que fazer com o que temos em frente.
No fim do dia não é sobre amor.
É sobre viver diferente.

Nana Rothhaar

Não é por nada não

Não é por nada não.
Não é por nada que eu tenha feito.
Nem é por nada que você tenha querido fazer.
Nem por nada que deixamos escapar.
Não é por nada que eu goste,
ou que você não goste,
ou que nenhum de nós suporte.
Não foi por causa de outrém.
Na verdade não é culpa de ninguém.
São coisas involuntárias, surpreendentemente marcantes.
Pensando bem, não é não por nada não.
É por algo sim, assim, como você.
Sua respiração, emoção, seu sorriso convidativo,
olhar compassivo, emotivo, altivo.
É por cada diástole tola, cada sístole boba.
É que tudo fica importante de repente quando se trata de você.
Não é por nada não, mas preciso falar:
Não é por nada apenas que te amar.

Nana Rothhaar

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Já fiz um pouco de muito

Já fiz versos bonitos dos quais me orgulhei.
Já fiz rimas singelas as quais já descartei.
Já fiz poemas sem sentido para extravasar minha confusão.
Já escrevi textos tristes para espalhar minha frustração.
Já esbocei coisas alegres para fazer alguém sorrir.
Já escrevi sobre um amor que nunca sequer senti.
Já comecei  a escrever algo e bem no meio parei.
Já comecei a escrever coisas e só parei quando acabei.
Já escrevi fórmulas antigas que iriam a meu favor.
Já tentei encontrar uma nova fórmula para o amor.
Já tentei escrever apenas por inspiração.
Já ousei falar sobre coisas que se passavam em meu coração.
Já escrevi muita coisa para impressionar alguém melhor que eu.
Já ironizei alguém que achou que me venceu.
Já me fiz melhor do que o que realmente sou.
Já disputei com alguém que no fim me ultrapassou.
Já tentei provar pros outros o quão boa posso ser.
Já me fizeram ver que, para eles, pouco importa o que me vai acontecer.
Já tentei mostrar para o mundo o que se passa dentro de mim.
Já aconteceu de algumas dessas vezes não conseguir e mentir.
Já prometi umas coisas que sabia que não iria cumprir.
Já alcancei muitas metas que nunca achei que fosse atingir.
Já perdoi algumas pessoas que me fizeram muito mal.
Já tentei me perdoar por um erro acidental.
É! Já fiz muitas coisas que acabei de notar.
E espero ainda fazer, enquanto meu tempo durar.


NanaRothhaar!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vamos nos esconder?
Fugir do mundo, de todo mundo.
Vamos pegar o trem que nos levará a qualquer lugar.
Vamos correr para a praia.
Olhar o horizonte de dentro d'água.
Estou com vontade de mergulhar, posso te convidar?
Vamos sair por aí, sem lugar de partir nem lugar de chegar.
Vamos apenas parar em qualquer bar.
Vamos beber até começar a rir e parar por aí, afinal queremos continuar.
Ah! Vamos brincar de nos olhar intensamente.
Quem sabe descobrimos algo diferente em nós?
Mas sem pressa de parar. Vamos apenas nos deixar levar.
Vamos viajar pelo mundo?
Vamos mergulhar fundo na aventura,
conhecer novos amigos, novas culturas, reencontrar velhos conhecidos.
Lembrar o passado, velho e enterrado.
Ah, será tudo novo quando voltarmos.
Teremos mudado, dormido, acordado, nos perdido e nos encontrado.
Seremos,talvez, namorados, felizes, contentes, sorridentes, presentes.
Que tal? Não será nada mal...

Nana Rothhaar