sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Exatidão

O que vejo no espelho não é verso
poesia, nem cadência ou paixão.
O que vejo são escritos rabiscados
num rascunho incompleto, um borrão.
O que vejo é tentativa de acertar
por um método repetido, tradicional
que é o certo, mais seguro, mais tranquilo
o mais possível de levar a um bom final.
O que vejo é coração batendo em ritmo
esperando em aflição por vendaval
e que teme a total insegurança
quer sossego, quer terror, quer temporal.
Tem um rosto conhecido por seus feitos
e que alegre esconde  a dor que lhe convém
e doce, frágil, forte, é competente,
e enxergar a fraqueza com desdém.
Se palavras fossem fogo, queimariam
se palavras fossem água afogariam,
mas palavras são escritas e acalmam
ou machucam, ou agitam, quem diria!
O que vejo no espelho é a medida
entre o certo e o errado, a exatidão,
mas se fosse tão exato não estaria
acompanhada só de palavras, solidão.

Nana Rothhaar

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar. Thinking fica muito feliz!