Vejo neblina por onde passo
vejo notas escritas em cadafalsos
onde se penduram esperanças e alegrias,
lembranças, memórias esguias,
algum carinho perdido, uma rotina,
coisas almejadas, coisas queridas.
Vejo estrelas lá ao longe brilhando,
vejo cenas de um passado desumano,
vejo em frestas os segredos bem guardados,
vejo em páginas desejos revelados.
Só não vejo sentimentos bem sentidos
com a força de um tornado, em atrito,
não vejo a vontade de mudar,
só enxergo a vontade de se entregar
e se entrega em poesia descontente
viajando em pensamentos conflitantes,
se emociona em choro contido gritante
de covardia se esconde, descontente.
Nana Rothhaar
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