domingo, 7 de agosto de 2011

Poesia Particular


Você é o grito que ressoa em meus ouvidos a me espantar,
é o silêncio incessante a me pressionar,
é a chama que me queima para renovar.
É a dor que senti sem reclamar,
o alívio que chegou para abrandar.
A surpresa que surgiu pra me encantar,
a leveza que senti ao flutuar,
o carinho que doei sem nem notar,
a centelha que iluminou uma vida de pesar
a ferida que curou, mas deixou cicatriz em seu lugar.
És minha poesia não escrita.
Tudo que sempre soube sentir, mas que nunca soube expressar

Nana Rothhaar

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Salvação



Meu coração está desolado, arrasado, afundado, sinto como se o chão me tivesse sido arrancado de sob os pés. Minh'alma se afunda em mim, e as minhas pernas pesam sob meu corpo leve. Sinto o coração acelerar e se chocar contra minhas costelas que agora parecem quebradiças. Todo meu eu se anuviou e meus olhos se turvam com as lágrimas teimosas que tento engolir. Minhas mãos trêmulas não conseguem traduzir em palavras o que se passa dentro de mim. É como se tudo que eu concretizei em meus pensamentos fosse levado pela fina chuva que cai lá fora. Mas quem me dera que em mim houvesse uma fina chuva. Há uma torrente que arrasta tudo de concreto que pintei em meus doces sonhos. É avassalador, desconhecido, desastroso. Mas há sempre uma luz. Por mais oculta que pareça. Ouvi palavras doces e amistosas. Aquelas que nunca pensei ouvir, de uma fonte que nunca pensei existir. A vida é realmente surpreendente e esse é um dos clichês mais verdadeiros existentes.

Nana Rothhaar

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ignorar-me

A angélica forma de olhar, de se expressar, de se movimentar.
O jeito doce de falar, de se comunicar...
A atenção que transmite ao piscar devagar
e tudo mais que não tenho coragem de falar.
A serena forma de... me ignorar.
O silêncio ao me fitar, a inexpressiva maneira de me cumprimentar
fizeram-me olhar para o lado em um momento de desagrado
e pude perceber o que ia além de você.
Uma personalidade, a meiga jovialidade e a amizade a engatinhar.
Ah!, como eu quis acreditar!
Como fui boba ao me deixar contagiar.
No fim não foi nada além de ilusão.
De ambos os lados lançaram-me adagas no coração
sem que eu pudesse evitar. Como foi triste ter que enxergar.
Vou ter que viver só e assim mesmo tentar me recuperar.

Nana Rothhaar

domingo, 3 de julho de 2011

Escrevo sobre coisas que conheço, que sinto, que vejo. Ou não faço.
Pode ser sobre coisas alegres, tristes, coisas das quais me agrado.
E hoje falo de você. Não era pra ninguém saber, mas mesmo assim vou dizer.
Ainda não é algo que está em meu coração; se passa na minha mente.
Meu pequeno ciúme é fruto da velha possessão.
Após o "fatídico" dia, o qual venho sempre a recordar, não consigo parar de pensar...
Não é tão gracioso nem belo, nem me faz ficar presa a seus olhos como a um elo,
mas é encantador com seu próprio jeito de ser; percebi isso repentinamente, sem querer.
É mais forte e decidido - isso é apenas o que tenho visto, não tirem conclusões pelo que digo.
Não o conheço, não o mereço, logo digo o que vejo, o que imagino, o que acredito.
Às vezes minha mente faz isso comigo.
Ah! que sarcástico! Já cheguei a ficar constrangida, mas jamais me dei por vencida.
O de outrora jamais faria isso. É o que penso, cá comigo.
Enfim, em suas semelhanças são diferentes, dão um nó na cabeça da gente.
Do carinho ao sarcasmo, da intensidade à clareza,
da calma à indagação, da simplicidade à explosão.
São tão próximos e tão distantes, como as coisas que se passam em meu coração.

Nana Rothhaar

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Olhos Castanhos de Mel

Não são seus outros atributos, é apenas seu olhar.
Olhos doces, olhos castanhos de mel, olhos sutis como o azul do céu.
Olhos de perdão, de compaixão, de compreensão.
De entendimento, de comprometimento.
Perdi-me na intensidade do seu olhar a me fitar, a me fixar no meu lugar.
Olhos que têm o poder de me fazer levitar.
Nesses não há segredos ocultos como os de outrora.
Não há mistérios insondáveis nem sentimentos incontáveis.
São lagos rasos, não mares turbulentos.
São pontos de calmaria, não templos barulhentos.
Os amo como ao amor. Ambos me transmitem calor.
Ah! que olhos compassivos! Não canso de dizer isso.
Olhos de acalento, de arrebatamento.
Condescendentes, benevolentes.
Os amo como amo amar. É complicado explicar.
Não é coisa de se falar, é de se sentir.
E eu nunca me senti assim...

Nana Rothhaar

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Já havia me prometido que me arrependeria pelo que fiz
ao invés do que não fiz.
Seria melhor dizer que fiz o que tinha de ser feito.
Seria melhor poder ter feito de tudo, ou de quase tudo.
Havia prometido que me jogaria em todas as situações de corpo e alma.
Não consegui me jogar nem de mente.
Prometi ainda que faria de tudo para tentar ser feliz.
Mas a minha felicidade é subjetiva.
Subjetiva e utópica.
Prometi que tentaria não errar.
Esse foi um grande erro.
Prometi não chorar por tolas emoções.
Talvez eu esteja chorando por não poder sentir nada agora.
Prometi que seria forte e enfrentaria a vida calmamente.
Ainda ontem gritei para o mundo a minha revolta.
Prometi também que nunca mais pensaria tanto antes de agir.
E deixei escapar muitas boas oportunidades por não insistir.
Hoje me prometi nunca mais fazer promessas.
E isso foi o melhor que fiz.

Nana Rothhaar

sábado, 9 de abril de 2011

Somos quem podemos ser


Vivemos para agradar, para nos mostrar, para aceitar.
Vivemos para sorrir, para fingir e mentir.
Porque não vivemos como queremos, vivemos como precisamos.
Qual de nós fala tudo que pensa? Nenhum de nós.
Às vezes não admitimos certas coisas nem para nós mesmos.
Vou virar a mesa e entregar os pontos vencidos.
Vou buscar outros, mais interessantes.
Esse valores estão ultrapassados e subjetivos.
Quero objetividade, alegria, felicidade.
Vamos nos divertir sem ter medo de sentir,
sem precisar fingir ou fugir.
Esse modelinho está nos corroendo.
Vamos sacudir a ferrugem e deixar nosso interior brilhar a mostra.
Somos quem podemos ser, somos quem aprendemos a ser
vamos nos deixar viver.

Nana Rothhaar