quarta-feira, 29 de abril de 2015

Vendo o mundo diferente

Se cada lado de mim fosse apenas menos pesado
eu desmoronaria como um prédio abandonado aos ratos.
Se eu fosse apenas um pouco mais leve
aí sim conseguiria caminhar.
Mas eu carrego pesos desnecessários que não consigo delegar
e fico aqui presa, sempre no mesmo lugar.
É triste o meio de quem não entende
que cada um caminha para o fim que escolheu.
E eu impondo ao mundo minhas escolhas tendenciadas
vivo falando besteiras para quem escolheu não me ouvir em nada.
E só o que anda errado  mesmo
é o meu modo de ver o mundo além de mim.
Mas mesmo assim, sabendo que isso precisa mudar,
não vou alterar o jeito como lido com meu coração.
Para isso não aceito opinião.
E que seja tolice, arrogância, intolerância ou pretensão.
Que junta meus cacos sou eu, não é mais ninguém não.

Nana Rothhaar

terça-feira, 21 de abril de 2015

Like me

Se eu não estivesse ocupada demais percebendo o mundo ao meu redor
perceberia que o seu mundo podia estar em minhas mãos.
Mas eu não vivo de paixão nem de emoção.
Eu vivo de pensamentos tolos cheios de razão
que me impedem de fazer o que faria um ser humano normal.
Mas eu acho o normal muito banal e valorizo mais o meu lado intelectual.
Se eu pudesse desdizer minhas palavras e rescindir os meus contratos
firmaria um juramento com você, que ao que parece é o melhor que poderia ter.
Mas eu sou exigente demais para me conformar comigo mesma,
então dificilmente me conformaria com alguém.
E não é nada pessoal, nem com você nem com outrem.
É que admito ser muito pouco convencível, muito menos contornável
e isso me deixa mais ou menos incontrolável.
Então perdoe-me pela análise friamente calculada de mim.
Mas é que fico muito confortável assim.
Acho que não nasci para o amor
e a cada dia me convenço um pouco mais que o trabalho puramente me satisfaz.
Talvez eu seja mesmo esse robô que pintam como quadro de quem sou.
E talvez você não tenha conseguido ser emocionalmente racional o suficiente
para desconcertar meu mundo teoricamente programado.
É uma pena. Eu teria adorado.

Nana Rothhaar

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Solidão

O meu destino é ser tecnicista demais para suportar as trivialidades do amor.
E ver os idiotas aproveitando os frutos doces da ignorância
como quem prova a bela maçã proibida e nem ao menos sabe que ela lhes custou a vida.
Meu destino é ser a franqueza e não reconhecer a fraqueza.
É acreditar naquilo que não acredito que me chegará.
É viver em solidão esperando uma paixão que não reinará em meu coração.
É me alegrar pelos meus próximos que acreditam sem duvidar,
que se arremessam sem medir distância e que não se importam em se machucar.
O meu duro coração se despedaçaria com a decepção que voltaria contra mim
no momento que eu percebesse que eu relutantemente cedi
e então fui devorada por mostrar a flor às abelhas que não ligam para o meu fim.
E aí eu me culparia por ser tola e tão medíocre, e ser inocente e humana demais.
Seria um desastre, ora então! É por isso que esqueci onde está a chave do meu coração.

Nana Rothhaar

sexta-feira, 27 de março de 2015

A dor que trago me mim

A dor que trago em mim é tão refinada
que chego a desconfiar do meu próprio sentimento.
É tão sutil, mais sutil que a brisa soprada,
mais sutil que o mais simples dos ventos.
Cresce aos poucos enraizando como alga
que de tão suave e singela nem é notada
e de repente domina toda a base, infesta.
Ela é doce, tão doce que nauseia,
com um toque acre que rememora
que algo não está onde deveria, e não refreia.
Cada pequena parte é essencial para exercer domínio,
pois sob o comando total e legítimo
muitas vezes não sou capaz de renegar.
É que cada mero comando, por mais que seja ínfimo
parece tão certo que não consigo evitar...
E meu corpo passa a ser um lugar insalubre de se resguardar
cada simples sentimento que queira então reacender
as fagulhas de esperança que sei que deveria ter
e se torna tão difícil de me levantar...
É pulsante, latejante como o ritmo da minha própria vida.
É incessante e incansável a dor que me agita.
E ela é apenas tão doce... tão difícil de ser esvaída...

Nana Rothhaar

sexta-feira, 20 de março de 2015

Fé é quando você pede e acredita que obteve
não o que você queria, mas o que você precisava.
Fé é quando seu coração sangra
e você chora desejando que tudo passe
e toda dor escorre pelos seus olhos em forma de salvação.
Fé é quando você dorme triste e acorda alegre
pelo simples fato de saber que sua força é maior do que você pensou.
Fé é encarar cada sofrimento, cada tragédia, cada mágoa com esperança
pois você acredita que tudo melhorará amanhã, de um jeito ou de outro.

Nana Rothhaar

quinta-feira, 5 de março de 2015

Aceit(ação)

Eu que nunca fui quem quis,
ensino a ser quem poderá,
porque fiz tanto por mim
e tenho tão pouco o que coletar.

Dei ao mundo o que queria
e não tive o que pretendi
e enquanto eu não vivia
perdi grande parte de mim.

Hoje já não sei quem sou,
talvez uma imperfeita criação,
distorcida, desvalida e imprecisa
num mar de perfeita escuridão.

Nana Rothhaar

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O maior maior do mundo 2

Eu sinto falta daquela velha piada sem graça,
da risada descontrolada por causa da sua cara entediada
quando percebia que o que você dizia não me dizia nada.
Sinto falta daquele amassado jogo que a gente jogava
aquele mesmo que quando cansada você roubava
para que a gente dormisse logo e então você descansava.
Sinto falta daquela conversa da volta da escola
onde você dizia seus planos temerosos sobre o dia de amanhã
que era tão instável quanto uma coca-cola  aberta desde de manhã.
E você confiava tanto!, se entregava tanto!, tinha tantos sonhos
e então o amanhã não chegou como planejamos e esperamos.
O amanhã surgiu sem um futuro conjunto.
Terminou um dia à tarde no meio de todo mundo,
de um jeito tão completo me deixando tão vazia,
de um jeito aparentemente perverso, mas que só me ensinaria
como tudo é tão finito que se deve aproveitar cada segundo,
cada momento sem fim, cada palavra dita, cada sentimento assim...
E eu só aprendi: como ter fé e como ser forte, como ser tudo que alguém quer
como se doar, como amar, como viver sem lamentar.
E eu sinto falta de ser lida do início ao fim,
sem uma palavra, sem pistas, até os confins...
E eu sei que você está aqui. Sinto dentro de mim...
Naquele abraço que você me deu, naquela frase que me doeu
e como sempre você me salvou. Você me mostrou.
Você me amou e me desarmou.
E eu posso viver, pois você me  libertou das minhas amarras.
Até já.. até mais. Dentro do seu coração, dentro de nossas almas.

Nana Rothhaar