domingo, 10 de agosto de 2014

Devaneios

Quando a areia da praia escapa pelos meus dedos sinto minha vida escorrer. Como a água muito fluida, como o vento enquanto brisa, como a luz por uma fresta, como um riso de canto de boca. Piso e sinto a sensação de estar sem emoção, de estar em confusão, ou não sentindo, sem noção de tempo ou de paixão. Sinto o nada, sinto o calor, misturado ao vento frio que arrepia em seu favor, me levando a devaneios sobre tudo e sobre nada. Sou inerte, só parada olhando o mar a passear. A paisagem meio clara, fim de tarde a acabar. Sol saindo, indo embora, vai deixando cores mistas, lá no céu em despedida, uma paisagem indefinida. Pensamentos vão pairando, vão saindo, sem pousar. Fico olhando o paraíso, alguém vem me expulsar?

Nana Rothhaar

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