domingo, 10 de agosto de 2014

Sempre só

Se eu pudesse encontrar a superfície
e pedir ao céu por meu perdão
não estaria afogada nesse mar de solidão.
Se eu pudesse encontrar a luz
e segui-la até a origem,
não estaria aqui no escuro sozinha.

Sempre só, sempre só eu reviro pensamentos,
reencontro coisas escuras que gostaria de esquecer
Vejo anjos e demônios, eu sufoco em contradição
essa ainda sou eu mesma ou um fantasma do que fui, então?

Se houvesse um jeito certo
de viver sem estar errado
não seria prazeroso, só seria muito exato.
Não haveria recomeço, não haveria perdão
tudo bem o tempo todo, sem armadilhas,
sem polícia e sem ladrão.

Sempre só, sempre só, eu reviro minha alma
reencontro pontos negros que me forçam a relembrar
que sou má e pouco pura, eu estou em depleção.
Sou encontro sou partida, sou um porto ou estação?

Revirei o meu passado e fui até onde não havia música
onde o sol não renascia, onde a paz era só história
Essa ainda sou eu mesma ou um fantasma do que fui, então?

Nana Rothhaar


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